Cadu,




Belo Horizonte, 20 de janeiro de 2021

Cadu, 

hoje faz 4 meses que eu me despedi de você. e eu ando teimando que meus olhos ainda te veem. tem quem diga que eu tô doida, pois confirmo. digo que tô, cê sabe que sempre fui mais da loucura que da normalidade. mas num há de ter, Cadu, lugar que eu olhe e não te veja. te vejo na cozinha passando café logo pela manhã, te vejo na chuva que cai aqui agora deixando um friozon e por pouco consigo sentir seu abraço apertar meu corpo - que agora meu coração jorra e chego a pensar que só ele, apenas o seu abraço, poderia tapar esse buraco que ficou. Cadu, te vejo no cachorro que apareceu aqui pela rua, aposto que cê traria ele pra casa, então, eu trouxe. tá aqui, sentado, assustado com o trovão que balança as paredes, e tem sido boa companhia, cê ia gostar dele. te vejo no céu, cê que é de céu, sempre foi, tenho certeza que anda a dançar com as estrelas em algum lugar. pois comecei a dar nomes para as estrelas. eu e caetano, o cachorro, sentamos às vezes no quintal e ficamos a nomeá-las. queria eu te apresentar minha favorita, chamo de cadência, brilha que é uma beleza, e sempre que eu olho pro céu ela tá lá a me encontrar, assim como você. cadu, eu tenho te visto no vento que toca as folhas e as levam pra lá e pra cá, como se fossem seus próprios pés. veja, te imaginei aqui dançando vento e me veio um sorriso, um sorriso que carrega saudade, tanta saudade. e eu tento agarrar nessa poesia de você que ficou no meu olhar. tento. que parte de mim sente medo do que vai existir quando ela se for. mas a outra parte cadu, sabe que ela há de deixar algo. caetano, cadência, a dança das folhas. eles tem me ajudado com o tal buraco no coração. que dói, Cadu, ainda dói, mas eu sou grata por você ter me deixado tantos sorrisos a encontrar nesse mundo. Que a tua travessia esteja sendo tão bonita quanto você, meu amor.

com afeto, 

Amélia.


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O projeto tem apoio financeiro do Estado da Bahia através da Secretaria de Cultura e da Fundação Cultural do Estado da Bahia - FUNCEB (Programa Aldir Blanc Bahia) via Lei Aldir Blanc, direcionada pela Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo, Governo Federal.

Querida Júlia,


Querida Júlia,

É, eu sei. O tempo passou tão rápido da última vez que nos vimos. Eu nem consegui te contar o que eu tinha em mente.

Estávamos deitados no banco de trás do seu carro. Lembrei você da nossa última ida à praia. Você reclamava dos cabelos desbotados e das gordurinhas provenientes da ceia de natal. Eu não precisei fingir não reparar. Você estava linda, como sempre; e até suas imperfeições eram perfeitas.

O que aconteceu com os nossos sonhos? Os meus, eu não sei. Mas os seus você realizou todos. Marido bem sucedido, um filho lindo, casa e carro do ano. Se pudesse escolher, queria minha liberdade de volta, você disse. Seus posts no Instagram diziam o contrário.

Sabe Júlia, andei pensando em nós...Se é que um dia existiu um "nós". Ou simplesmente deixei a vida dar um nó por causa do seu olhar em mim. Escrevo para te contar uma grande novidade, mas acho que não tem mais clima. Queria ser seu amigo novamente, confidente e a sua primeira opção; mas fui promovido a terceira.

Eu só precisava te contar. E isso, desde a última vez que te vi. É que ela é linda...Seus cabelos ruivos contrastam com a sua forma poética de ver o mundo. Ela gosta de escrever prosa porque tem medo dos versos. Nunca quis ser mãe...mas se dobrou a vontade do universo. É a melhor amiga que uma pessoa pode ter...E eu a deixar ir, pois queria que ela fosse feliz.

Eu estou apaixonado pela minha melhor amiga.


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Hoje tá foda.

 


Moça, eu tô te escrevendo pra você não me esquecer, mas a verdade é que eu não tenho absolutamente nada de novo pra te dizer. 

As coisas continuam difíceis e o mundo continua mesmo meio feio. Às vezes, encaro a minha janela e me pergunto: "A vida é isso? A vida é... Só isso?!"

Entre risos, me deixo balançar no ritmo da rede que eu pendurei no meio da minha sala. 

E escolho cores diferentes pra enfeitar a casa e o sorriso, mesmo sabendo que não vem ninguém apreciar.

Sozinha, descubro verdades alarmantes a meu respeito. 

Sabe, moça, eu gosto dele. Pois é. 

E eu sinto saudade de tomar sorvete olhando o mar. E eu não tenho mais PACIÊNCIA pra quem finge ser doce e só entrega amargura nas palavras. 

Moça, a única coisa que a gente tem hoje pra interagir com o mundo, são as nossas palavras. E algumas pessoas não compreendem o peso que elas têm. 

Acho que é por isso que tenho escolhido o silêncio, tenho escolhido esconder debaixo da cama as minhas opiniões.

É que, como eu disse, as coisas andam difíceis, o mundo já é muito feio e eu sinto que se eu não tiver um pouquinho de mel nos meus lábios, melhor mesmo é não dizer nada. 

E aí eu me recolho à insignificância de uma existência completamente ordinária. Não tem nada maravilhoso pra te contar. 

Pela manhã, eu tomo um copo bem quente de café, acendo um incenso de lavanda e suspiro um sopro de esperança que se esvai pelas frestas na porta, na primeira oportunidade. 

Eu sinto saudade de muita gente, moça. Mas também sinto alívio pela distância da maioria dessas pessoas. 

Eu tenho pressa pra que certas coisas acabem logo, projetos se concluam e eu possa seguir sendo só uma menina que chora sozinha no escuro precisando de um denguinho. 

Aliás, moça, que falta faz um dengo nesses dias difíceis, viu? 

Um carinho qualquer. 

Tô ansiosa, tô carrancuda, vivo aborrecida. Acabou o açúcar e tá sobrando limão.

E eu desejo um bolo de chocolate com cobertura escorrendo pelas beiradas do prato. Assim, bem muito. 

Aí, moça. Eu espero mesmo que amanhã seja doce. Porque, hoje... Hoje tá foda.


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Para depois do fim do mundo


Vitória da Conquista, março de 2021

Ei,

Encosta aqui no meu carinho. Infelizmente ele vai chegar aí assim, meio afastado. Hoje, mais do que sempre, além de escrever, é importante que estas linhas estejam sendo lidas. Quem sabe as palavras se juntem num beijo que te alcance, já que meus lábios não podem fazê-lo. Me escuta?

É, eu sei, nenhum de nós nunca pensou viver em meio ao fim do mundo. Há um ano estamos sendo alertados, só que a maioria nunca levou a sério. O preço está sendo pago. Mas fica tranquilo, não vim aqui pra reforçar tudo o que já andamos exaustos de saber e de sentir. Eu quero mesmo é ver se consigo te fazer sorrir em alguma dessas minhas frases desconexas. Meu interesse é só um: que seja leve.

Eu desejo que você acorde amanhã e, mesmo sem poder sair de casa, que você tenha uma janela por onde a vida entre e te faça sentir que o mundo segue acontecendo. Que você aceite as pausas como consequência de um ato nobre, o qual poucos andam tendo o privilégio de participar. Ficar em casa é aceitar-se herói de si mesmo e de um pedaço grande do hoje. Que você aproveite os domingos sem praia e enfeite a mesa do café da manhã para presentear quem divide a clausura ao seu lado. E se você estiver sozinho, que você faça uma chamada de vídeo para aquele amigo que também anda sem plural. Pros teus irmãos, pai, mãe — qualquer família. Mata a saudade tomando um café e contando um caso besta enquanto fazem planos de um churrasco para depois do fim do mundo, quando todos estiverem vacinados. E sorria.

Eu desejo muito que você tenha comida na mesa, amor no coração, quatro paredes para caber o tanto que você é. E se sobrar, que você possa ajudar alguém, nem que seja para entregar esperança junto a um prato cheio que mate a fome de quem só tem o céu para cobrir-se. Desejo que se você tiver um vizinho ou algum conhecido com cabelos de algodão e histórias de alinhavar o ontem, que você passe por debaixo da porta um recado com seu telefone e uma frase de recarregar baterias, oferecendo-se para fazer aquilo que o corpo mais antigo já não pode. Que você reconheça com muita força a sorte que tem de estar vivo. E, caso você tenha perdido alguém para o caos, que o tempo te permita pequenos recomeços. Desejo que você consiga, a todo instante, encontrar alguma poesia para recomeçar. 

Desejo que você receba afagos cotidianos. Uma mensagem que te pergunte se tá tudo bem. Se você quer conversar sobre isso. Que alguém te envie um bolo de cenoura com cobertura de chocolate. Que você enlouqueça com o episódio daquela série e telefone para comentar com a pessoa que te indicou. Que exista um livro para te consumir. Que você descubra um novo talento enquanto deita no chão e olha para o teto, mesmo que esse talento seja começar uma tabela de contagem de estrelas. Que quando você enlouquecer, que não tenha censuras. Que abra um vinho enquanto deixa a panela queimar e xingue caminhando pela casa e resolva jantar sorvete. Que você esteja conseguindo. Tentando. Levantando. Acreditando. E impulsionando alguém a fazer o mesmo. Que você deixe esse alguém saber e sentir que você está aí. E que você esteja. Eu estou.

Eu desejo, como nunca desejei nada antes, que a gente sobreviva a este fim do mundo. E que depois, lá no amanhã, reaprenda a viver. A vida nunca se viu sendo vivida tão errada. Me sobra desejar acertos. Para todos nós.

E amor, sempre.

Jaya


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Livro

 

[Imagem meramente ilustrativa]

Está aberta a pré-venda do nosso livro e trouxemos uma listinha com alguns detalhes, ó: 

1. Valor: 25 reais (+10 reais de frete caso seja compra on-line).

2. Compras com Jaya Magalhães OU com Maria Midlej. É, infelizmente deve ser feita uma escolha, uma vez que moramos em cidades diferentes e, por conta da pandemia, não poderemos assinar juntas. Mas o amor segue duplo mesmo assim. 

3. Pagamento: será feito via PIX/transferência/depósito. (Compra on-line: após envio do comprovante e endereço, seu livro será enviado via Correios com dedicatória de uma de nós duas).

4. BRINDES LIMITADOS NA PRÉ-VENDA. Isso mesmo, comprando AGORA, você consegue garantir uns brindes SUPER fofos que fizemos com o maior carinho pra vocês. 

5. Para compras com Jaya ou com Maria, vocês podem enviar e-mails. Estaremos atentas!

E-mail Jaya: jayamagalhaes@gmail.com

E-mail Maria: bemditaslivro@gmail.com

6. O lançamento acontecerá virtualmente, sem nenhum evento, no final do mês de abril. Então, comprando agora você se garante, mas tem que segurar a ansiedade da espera junto com a gente.

E é isso, babies! Estamos muito felizes em compartilhar esse parto coletivo. Afinal, não fossem vocês, esse livro não existiria. Em breve traremos fotinhas do livro pronto e demais surpresas. Aguardem!

OBRIGADAS!

Com carinho,
Equipe BemDitasCartas 

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