Ei, moça!

 



Ei, moça, hoje eu acabei de ver aquela série. É, aquela que a gente tinha combinado de ver juntas. Eu comecei a ver no dia seguinte do fim, foi meio que uma despedida, sabe? Doeu no começo, não vou negar, depois foi ficando a parte boa, as lembranças, aquelas, inesquecíveis. Cada episódio tinha músicas de um cantor diferente e esse último, que acabei de ver agora, tinha músicas da Cássia. E eu acho que nunca te contei, porque sempre achei meio piegas, mas muitas músicas dela me fazem lembrar de você. É uma série sobre paixões, sobre intensidade, indas e vindas. Intensidade. Acho que esse é o meu maior problema, sabia? Tem tanto aqui dentro que nunca soube caber em espaço pequenos, comigo sempre transborda. Eu quis ver ela, a série, bem devagar, saboreando cada frase pontualmente,. Talvez por me lembrar tanto a gente, eu não queria terminar rápido, medo do fim, fim esse que já aconteceu, mas que a gente demora as vezes pra entender. Mas esse último episódio, eu devorei de uma só vez, na ânsia de saber se eles iam terminar juntos, mas não, não terminaram, como toda grande paixão, todo grande amor. Mas o final não foi triste, nem foi feliz, só foi, bem como a gente. A última música, é uma música do meu grande ídolo Renato Russo, cantada pela Cássia, chama Por enquanto. Não sei se você conhece. Cada trechinho dela canta você pra mim, canta o nosso nós, o nosso quase, o quase mais bonito que eu já vivi. O tempo está passando rápido demais e você não passa aqui dentro. Talvez não passe nunca. Eu sei que você não foi o grande amor da minha vida, porque acho que amor precisa de muito mais do que a gente viveu, mas a paixão... Ah, moça, desde que parei a primeira vez nesses teus olhos cor-de-terra, eu já sabia que tinha me apaixonado. Coisa derradeira essa de paixão, né? Toma a gente por completo, nos enlouquece. Você me tomou de todas as formas possíveis. Mas como toda paixão, no fundo a gente sabia, era feita pra não dar certo. Não vou dizer que não acreditei, sim, eu acreditei, mas sou capricorniana, sempre tive meu pé atrás, ainda bem, senão o tombo teria sido maior. Foi exatamente como tinha que ser. Não me arrependo, ao contrário, foi uma das coisas mais bonitas que já senti, você continua presente mesmo na ausência, as lembranças tão vívidas não me deixam passar um dormir ou acordar sem pensar em você. E eu, já nem tento mais fugir. Vou deixar aqui a música, pra você sentir e quem sabe, também não esquecer de mim.

Mudaram a estações, nada mudou, mas eu sei que alguma coisa aconteceu, tá tudo assim tão diferente. Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar que tudo era pra sempre? Sem saber que o pra sempre, sempre acaba. Mas nada vai conseguir mudar o que ficou. Quando penso em alguém, só penso em vc e aí então, estamos bem. Mesmo com tantos motivos pra deixar tudo como está, bem desistir, nem tentar, agora tanto faz, estamos indo de volta pra casa... 

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O projeto tem apoio financeiro do Estado da Bahia através da Secretaria de Cultura e da Fundação Cultural do Estado da Bahia - FUNCEB (Programa Aldir Blanc Bahia) via Lei Aldir Blanc, direcionada pela Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo, Governo Federal.

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