Mas isso não é amor


Salvador, Janeiro de 2021

Benzinho,

Eu sei que "todas as Cartas de Amor são ridículas", mas... E se não for exatamente amor?

Se for só um bocadinho de paixão, com pitadas de carência e um tanto de desejo que arde no peito confundindo os sentidos?

É que a perna fica bamba, a saliva engrossa e o coração acelera num samba, toda vez que eu soletro teu nome.

Eu quero te trazer pra perto. Pra dentro. E eu quero que você me chame, com tuas consoantes marcadas, pra cair na tua conversa fiada. Eu sempre caio. Mas isso não é amor.

Eu quero devorar teus pontos, contornar tuas linhas, abrir com os dentes a porta do teu mundo, me aninhar no teu peito e dormir de conchinha com teu riso acanhado.

Mas isso não é amor.

Eu suspiro o caminho inteiro quando é dia te encontrar, mesmo que só em pensamento. Mas... isso não é amor.

Acho que essa carta também é meio ridícula, mesmo que não seja exatamente sobre amor, porque o desejo é também engraçado, desgraçado e feio.

E forte.

E amalucado.

E doce.

E confuso.

E... Quase amor.

Ai, Ai, Benzinho. Isso definitivamente não é amor, mas...

Se tu chamar, eu vou. Se tu deixar, eu fico.

Um beijo,

Má.


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O projeto tem apoio financeiro do Estado da Bahia através da Secretaria de Cultura e da Fundação Cultural do Estado da Bahia - FUNCEB (Programa Aldir Blanc Bahia) via Lei Aldir Blanc, direcionada pela Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo, Governo Federal

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