Ausência

 


Salvador, abril de 2020

Dissemos tudo. Repetimos tudo.
Eu já não consigo lembrar de uma coisinha sequer que deixamos de dizer.
O sentimento morreu ali mesmo: engasgado com as palavras que atiramos um no outro. Sem dó, sem paciência, sem uma pontinha de remorso.
CULPADOS! Nós dois.
Por transformar fragmentos em uma longa e dolorosa história
Difícil até lembrar o que havia de bom. E, tendo tudo dito, esclarecido, como num vício pelo final perfeito, nós perdemos a beleza de sentir.
O "timing", é como chamam. 
Perdemos o "timing".
Entre um gole de café e outro eu ainda penso em como será que as coisas estão funcionando por aí.
Por aqui, restou o silêncio. 
E a sua ausência, que preenche cada espaço de mim.

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