Querido diário.



Brasília, junho de 2020

Querido diário,

Ontem eu não quis, mais uma vez, levantar da cama. Tenho sentido tudo com muita intensidade. Meu corpo dói, a mente está pesada. Sinto que a qualquer momento vou explodir. Ligo a TV e as notícias continuam iguais. Não há vacina e a esperança vai diminuindo cada dia mais. Não consigo enxergar, por mais que eu me esforce que o amanhã será melhor. Tomo um café assistindo o telejornal e sinto vontade de chorar a dor de quem eu nem conheço. Todo dia morre o amor da vida de alguém e eu me apavoro com a ideia de enterrar alguém que amo também. Digo baixinho que sinto muito e realmente sinto. Existem muitas lacunas dentro de mim e já não consigo preenchê-las. Sonho com um amanhã que parece até utópico devido às incertezas que estamos vivendo. Tenho buscado me recordar de dias felizes como combustível para continuar caminhando. Fecho os olhos me vejo rodeada de amigos, sinto o mar beijando os meus pés, sinto o quentinho do abraço de minha avó, me vejo inserida na minha rotina de acordar cedo e pegar um trânsito imenso. Tenho apostado, mesmo na desesperança, que logo estaremos todos juntos. Que o amanhã virá cheio de abraços, beijos e saudades. E sabe? Já estou pronta pra que ele chegue para me consolar.


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