Queridinho.



Salvador, agosto de 2020

Escuta aqui, Queridinho.

Quem disse que a fragilidade dos tempos iria comprometer a força do Adeus que eu te disse naquele dia?  Não vai funcionar me cercar, me buscar, passar aqui pra checar como estão as coisas desde que você partiu.  É melhor compreender de uma vez por todas: eu te mandei embora e é lá que você deve ficar: fora. Fora da minha vida. Eu não te quero nem como espectador.

De qualquer forma, os tempos estão mesmo uma merda. Permaneço em casa, evitando encontros, absorvendo informações e sentindo saudades insistentes e inesperadas. Aproveitei pra repensar episódios da minha própria vida. E é impossível não sorrir quando penso em nossa história, Queridinho. Não pense, contudo, que é um riso de ternura. Está mais pra aquela risadinha meio acanhada, de quem pensa: Como é que pode? Como é que eu pude?

E, quer saber? Acho que você é uma das histórias que eu não vou precisar revisitar pra entender o final. Acabou mesmo. Daquele jeito ali. Sigamos como for possível. É o que eu estou fazendo, enquanto te observo delinear um caminho risível de volta pra cá. 

Apenas pare. Num fode, Queridinho. Eu sei que eu te escrevi em todos os meus versos, inventei poesias de você e me deixei preencher por cada lembrança das coisas que eu queria viver contigo. Tá, eu sou romântica, eu sou poeta, eu sou exagerada. A gente sabe disso. Mas a questão é que, sozinha no meu quarto, por tantas noites, eu pude perceber que aquilo tudo não foi nada disso.  E tudo bem, eu tô ótima.  Inventar a nossa história foi divertido, importante.

Mas agora já foi, sabe?  Tem muitas coisas pra eu viver, imaginar, inventar, roteirizar sozinha na minha cabeça... com outros personagens, assim que o mundo permitir que a gente volte a viver e acontecer por aí.
Porque a verdade, Queridinho, é que eu, com ou sem você, sou uma grande história. Deliciosa de acompanhar. Por isso, até entendo esse seu movimento de me acessar.

Mas o que a gente viveu foi só uma página, disso tudo, que eu passei. 

E você? Passou.
Tchau tchau.


 

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