Para os dias iguais.



Salvador, julho de 2020

Carta para os dias iguais

Todo dia acordo e me pego pensando no que era pra ser, nos planos frustrados e nas ideias que nunca tiveram tempo nem de nascer. Deito olhando pro teto e penso que daqui em diante nada será como antes pra mim. Muita coisa mudou, aqui dentro mesmo. 

Minha boca tá ressecada demais e eu tenho a leve sensação que tudo isso é um grande pesadelo interminável e o que eu mais quero é acordar. Cada um sabe o peso e a leveza de viver o isolamento. E cada dia que passa, a vida que passa não volta mais. Eu tinha jurado pra mim mesma que não ia mais perder tempo lembrando do talvez.

Arrumei a casa, como todos os dias. Dei uma respirada, como todas as vezes que saio na varanda. Hoje o peito não doeu. Me encontro sozinha, ainda que presentemente na companhia de pessoas. Ainda que, rotineiramente atravessando os dias.

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