Para o mundo.


 

Vitória da Conquista, julho de 2020

Mundo,

Você tá foda.

Já não sei mais dizer como tenho me sentido. Tem dias que abro os olhos e fecho de novo, meditando pro sono durar e me deixar na cama o maior tempo possível. Tem dias que acordo fazendo faxina e dançando, preparo uma sobremesa incrível, leio muito, escrevo, faço projetos descolados para o futuro. Tem dias que eu acho que não vai ter futuro e fico vendo filmes e séries e comendo pipoca debaixo do edredom tentando evitar qualquer dose de realidade. Tem dias que chamo minhas pessoas pra conversar aqui dentro do meu telefone e dar um jeito de amenizar o sem fim de saudades que sinto desse tanto de gente que me compõe. Semana passada recebi um vídeo de meu tio cantando e chorei. Tenho uma lista de preocupações, mas curiosamente minha ansiedade não anda tão ansiosa como antes. Talvez fugir de notícias ruins tenha me ajudado a dormir melhor. A ioga tem sido a única terapia praticada religiosamente e misturada ao cheiro de incenso eu acabo achando que a vida continua massa. Estamos aqui, né? Isso já é motivo o suficiente para acreditar no amanhã. 

Tenho sentido falta de um denguinho. De um abraço. Um cafuné deitada num colo macio. Falta de ser olhada de perto, sabe? Quase por dentro. Tenho sentido falta de ir me encantando por alguém a cada novo encontro. Falta de pegar fogo, também. De acender quem me tocar. Troquei de pele nos últimos meses e nesse processo muita coisa mudou no meu avesso também. Ando louca pra sair desse casulo e inaugurar minhas novas asas.

Enquanto tomo banho, canto músicas antigas e deixo escorrer todas aquelas velhas crises que se penduravam em meus cachos. A água leva. E lava. O que fica é o que merece ser enraizado. Fica o que estará arraigado em mim assim que as portas se abrirem novamente. E eu vou sorrir de um jeito tão bonito que o sol vai querer me olhar de frente, só pra se misturar um pouco no meu tanto de luz.

Tem dias que dói pra caralho e a incerteza segura a gente pelas mãos. Tenho aprendido a encará-la e dizer muito firme: not today, satan. E seguimos cada um com seu antídoto, né?

Eu poderia repetir a chatíssima frase dizendo que "está tudo bem não estar tudo bem". Mas é aquilo: não estar tudo bem não está bem porra nenhuma. A gente sabe. Então a gente aceita. E chove. Depois a gente supera os gatilhos e ganha todas essas batalhas internas dessa guerra eterna que somos.

Então bora. É como diz Luiz Melodia naquela música: eu quero é mel!

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