Para o amanhã.



Salvador, julho de 2020

Querido amanhã,

Não é exatamente confortável te escrever, porém eu já me cansei de só pensar. Meus dias se repetem:  hoje parece ontem e você nunca vem.  Mas eu quero. 

Li outro dia que precisamos ter paciência. Ah vá. Há meses, estou presa em dias tão monótonos, esquisitos, melancólicos... 

Olha, senhor amanhã, eu não estou querendo te dizer que eu não tenho feito coisas ou progressos, tá bem? Mas não finja que não sabe do que eu tô falando. Todos os dias parecem um grande domingo, e às vezes nem faz sol, cara!

Preciso muito de você agora. 

Perdeu a graça deixar quase tudo pra depois e eu já não sei mesmo o que fazer com essa vontade de sair por aí, com meu sorriso no rosto (e extremamente visível, tá ligado?) e recuperar os dias que me foram arrancados por essa situação doida em que o mundo se encontra. 

Não dá mais pra viver as horas sem nem ao menos senti-las passando. Por mais que repitam, insistentemente, que a vida continua e que seguimos em frente, a grande verdade é que a minha vida não continuou pra lugar nenhum.

Nunca estive tão nostálgica, brother! Eu lembro com riqueza de detalhes quantas vezes a última pessoa que eu vi de perto piscou enquanto falava, sabe? Eu não quero enlouquecer, muito embora na maior parte dos dias eu já me sinta completamente louca.

Não aguento mais meu calendário cheio de ontens melodramáticos, semanas passadas e hojes perdidos. Eu preciso que você chegue aqui de uma vez. Porque amanhã vai ser melhor, não é o que dizem? Pois é.

Mas, por favor, chegue mansinho... venha logo, mas venha devagar, entende? Que eu quero ter tempo pra te abraçar com todas as listas que eu elaborei,  planos de viagens, passeios, jantares e declarações de amor que eu vou berrar, com certeza, assim que você chegar. 

Hoje tá tudo meio “coisado”, difícil de lidar. Mas, pelo menos, eu sei que amanhã vai ficar tudo bem.

Então chega logo, cara! Facilita.

Beijo, Má.

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