Para a esperança.



Brasília, agosto de 2020
Carta para minha esperança,
Tínhamos tantos projetos, já passamos da metade do ano e não concluímos nada. Mais de dez itens para realizar e nenhum deles riscado. Às vezes acho que ainda teremos tempo, outras acho que teremos sorte se chegarmos ao fim do ano. Será que estou sendo ingrata demais em reclamar disso? Sei que tá foda.
Tá foda ver os dias correndo tão depressa e não ter domínio sobre eles. De que adianta ter, teoricamente, tempo para criar e não ter cabeça o suficiente para colocar os planos no papel. Sei que as reclamações estão repetitivas, mas o que fazer com os dias que parecem infinitamente iguais? Tinha plano de encontrar amigas em Salvador, adiamos para o próximo ano. Tinha plano de manter a dieta em dia, mas tenho comido demais – a compulsão está cada vez mais forte. Tinha planos de iniciar um relacionamento. Tinha dito: desse ano não passa. E tá passando. Sei lá. Tá difícil acreditar que sairemos bem dessa, sabe? E tem dias, como hoje, que eu me pegando pensando: por onde a minha esperança?
É, eu não sei.

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