Para Éden.



Vitória da Conquista, agosto de 2020

Nhaí, véi?

A gente tá na mesma cidade, morando tão pertinho, que parece inacreditável estar escrevendo uma carta a você. Os tempos andam cheios de novidades esquisitas e a gente faz o que? Se adapta, uma vez que, graças aos deuses, temos esse privilégio. 

Hoje eu vim te dar parabéns, irmão, e fiquei pensando que ainda em março, no meu aniversário, tudo isso já tinha começado. Não nos vimos. E agora já podemos somar mais de quatro meses que não nos vemos, exceto quando você apareceu aqui na porta antes de ontem, correndo, e mascarados e afastados, trocamos um olhar de segundos. Naquela época, março, agosto parecia distante e tinha uma áurea de solução. Infelizmente ainda não estamos nessa etapa, mas temos sobrevivido bem e fortes. E em meio a tudo e tanto, temos motivos para comemorar.

Contrariando toda essa onda que criaram em cima do mês de agosto, para mim ele sempre foi celebração. Eu lembro dos meus sentimentos confusos quando te vi pela primeira vez no hospital, recém-chegado, vestido de amarelo. Que susto ganhar um irmão! Que ciúme. Que raiva. Que disputa. Que companhia. Que chatice. Que cumplicidade. Que saco ter que sair e levar. Ter que ficar e cuidar. Que bom festejar. Contar segredo. Dar risada até chorar. Que pirraça. Que sorte! Que insuportável. Que inteligente. Fala de novo do meu irmão que eu te dou um soco. Sim, é meu irmão aquele ali, o mais bonito. O mais velho é Éden, depois de mim. Ele se acha, mas ele pode. Eu vou embora pra Bahia. Que chorão. Ele veio embora pra Bahia. Engenheiro. Formou, dono do mundo. Éden é meu melhor amigo. Não tô aguentando mais, Jaya. Calma que eu vou. Nos últimos anos a vida me quebrou, não consigo andar, brou. Calma, vem pra cá, vamos resolver isso. Cadê Éden? Chama Éden. Que homem incrível. Ele consegue o que quer. A gente vai morar juntos. A gente mora um no outro. Eu não digo que amo, mas eu falo o tempo todo através de tudo. Que dramático. Come menos, véi. Leonino, já viu. Se plante! Só mesmo tu pra aguentar. Jaya me ama incondicionalmente, meu filho. Vamos voltar a ser magros. Pede a pizza na pietri que hoje vem em dobro. Bethânia linda da tia. Vem pra cá que vou fazer um feijão. Calma que a gente vai fazer o corre do livro, lê o edital. O negócio dos meninos tá arrasando. Éden não consegue ficar quieto. Rapaz, lá em casa a gente se vira. Minha mãe bota fé em todos nós. 

Que felicidade estarmos juntos, mermão, mesmo nessa separação forçada. Acho que nunca ficamos tanto tempo sem um abraço, exceto quando vim embora e você demorou um ano pra chegar também.

Salve dois de agosto, véi! Você. Essa fase massa que você tá vivendo. Que felicidade termos tantos motivos para agradecer. A saúde dos nossos. Sua vida. Seus processos. Tanta história. Mais um ano superado. Você me levantando e eu te aplaudindo. E que assim nunca deixe de ser.

Feliz ano novo, viu? Quando tudo isso passar a gente se embola. Nos canto tudo. Eu sempre te escrevo e termino com algum trecho do leãozinho de Caetano. Mas hoje eu vim falar o essencial: eu amo você.

Beijo, brou.

Jaya.

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