Para Bê.



Salvador, maio de 2020

Oi, Bê. 

Ainda estou me sentindo abraçada pelas suas palavras da última carta. Engraçado pensar em sentir abraços nesses últimos tempos, né? Mas foi o que aconteceu aqui depois de ler você. 

Você perguntou como eu estou, e eu gostaria de saber responder a essa pergunta. Mas já contabilizo muitos dias sem ter a mínima ideia do que tenho sentido. Só sei que é muito. Montes de ansiedades financeiras e enxaquecas sentimentais. 

Lembrar das nossas histórias me aqueceu o coração. Saber o quanto a gente já teve que ser forte. Eu daqui, você daí e a gente junta. Que tempos tortuosos já enfrentamos... Credo. 

Mas enxergar o passado com o olhar do futuro, mesmo que o olhar  esteja cansado, é também perceber a facilidade com que tudo aquilo acabou. 

Tua carta passou um filme na minha cabeça. 

Oxe, é gostoso demais lembrar das vezes em que a gente recomeçou, por vontade ou necessidade, não importa. 

Não combinamos com histórias confortáveis, fáceis, previsíveis. Disso eu tenho certeza. 

E é isso o que você me lembra: recomeço. 

Deu errado? Bora lá de novo, bora fazer um bocadinho diferente. E aí a gente sempre foi. A gente sempre vai.

Eu te falei outro dia que a nossa amizade me ensinou, na prática, sobre paciência. Essa história de esperar deixar passar. Porque vai passar. Tudo passa. 

A certeza é que a gente vai ficar. 

E, eu espero, do fundo do meu coração, que a gente fique bem. 

Qualquer coisa, fala comigo! Manda um sinal de fumaça e meu coração vai correndo te encontrar e ajudar a juntar os caquinhos. É como a gente funciona, né? 

Amo tu, Má.

Ps: você tem acompanhado o noticiário? Que vontade de gritar, né? Eu resolvi desligar a tv por tempo indeterminado. Que só me alcancem as doçuras agora. Desejo o mesmo a você.

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