Para a antiga dor.



Salvador, julho de 2020

Carta para a antiga dor

Achei que não...Mas você passou.
Seu nome agora é Saudade.
Te chamava de Amor, Paixão, meu Bem, minha Vontade.
Meu nome era Querer, Simpatia, me chamavam de Felicidade.
Mas o início e o fim são a mesma moeda.
Para o pesar de uma das partes.
Carreguei.
Você era agora um Peso
Eu Papel.
Me perguntava como se tinha transnomeado nisso, 
Raiva, Falha, Ódio, Incompreensão...
Mal sabia que na minha imaturidade, me chamava de Narciso.
Ainda assim te chamei de muitos nomes, mas não consegui te chamar de Rancor.
Amor também é meu nome e amores se tornam passados bons de lembrar, Saudade!
O problema do Tempo é que ele é relativo, egocêntrico e inconstante.
Mas é antigo e sábio.
Com ele, o Peso da Dor vai se tornando cada vez mais leve.
E eu metamorfo em Pássaro.
O Tempo te transforma em Compreensão, Clareza e o mais importante, faz de você um lugar pra revisitar, sem que a gente perceba.
E hoje fui lá lhe reencontrar...
Me vi.
Não importa seu nome, eu sou Você e Nós.
Saudade, quando você foi Dor, te visitava sempre, nunca nos entendíamos.
Lhe pedia para se transnomear em Esquecimento, pra parar de doer.
Hoje procurei querendo doer, para lembrar de como era... mas você não dói mais, você está lá, mas não me machuca, não me ataca. 
O Tempo nos trouxe equilíbrio.
Seremos sempre o que quisermos, juntos.

Eu te amo.
Agora.


 

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