Para Alexandre.



Ipiaú, julho de 2020

Alexandre,

Quando você ler essa carta já estará há alguns quilômetros de distância de mim...

E o que seria a distância para nós senão a irremediável constante desde o dia que nos conhecemos? Distância que por diversas vezes foi encurtada pelas longas viagens pela BR 101 e que no fim sempre eram recompensadas pelos braços aconchegantes um do outro.

Até que veio a pandemia para aterrorizar o mundo e nos deixar ainda mais angustiados ao pensar na distância imposta a nós por uma doença. Depois de termos passado tantos dias juntos, do réveillon até o carnaval sem se largar, vinha um vírus do outro lado do mundo aumentar nossa distância!!

E não é que ao contrário do que pensávamos a pandemia nos aproximou mais?! Acho que nunca passamos tanto tempo juntos como agora e diante de todas as dores causadas pelo COVID-19 nós conseguimos ver as boas coisas que ele nos trouxe. Vou sentir falta de chegar no quarto e te observar super concentrado trabalhando enquanto no seu fone de ouvido toca desde Adele em ritmo de arrocha até os funks mais pesados do Brasil, e apesar de eu odiar, vou sentir falta das inúmeras canecas em cima da mesa, porque não vê-las é sinal claro da sua ausência. Vou sentir falta de acordar com o cheiro de café e com seu chamego antes que você se fechasse no quarto para trabalhar.

Você mal foi embora e eu já estou aguardando sua volta.

PS.: A carta manuscrita tá no bolso da frente de sua mochila.


 

0 Comentários

Remetentes