Oi, pai.




Salvador, junho de 2020

Oi, pai.

Te escrevo agora porque chove demais lá fora, é quarentena e meu peito tá apertadinho de saudades suas. Já são pra lá de 10 anos sem dividir o mesmo teto, muito antes d’eu sair do interior pra arriscar a vida na capital. E, sem lógica nenhuma, o lugar mais sincero que me sinto em casa é no seu abraço. 

Mas o amor não faz sentido mesmo, a gente só sente e ponto. Eu sinto a maior saudade de acordar com você me chamando de magrela e preparando café da manhã pra mim. Pode ter quarentena, pandemia e o caos mundial instaurado lá fora, mas seria o lugar mais seguro do mundo. Era exatamente onde eu queria estar.

Mas que querer não é poder, eu já to cansada de saber. Fico de cá entre uma video-chamada e outra tentando amenizar a ausência do teu chamego. As ausências são cada vez mais constantes nesses tempos. Eu sei que te contrario em tanta-tanta coisa nessa vida, mas eu sei que é exatamente tu que tá aqui pra tudo. E vice-versa.

Amo tu.

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