Benzinho.



Salvador, julho de 2020.

Benzinho, hoje eu vi um passarinho sentado na minha janela. 

Passei o dia sentindo o gosto de um choro que não vinha de jeito nenhum, mas assim que eu vi o bichinho, danei a chorar, acredita?

Fiquei com inveja da liberdade do passarinho, que pode escolher de qual janela ele verá o mundo. Eu só tenho uma. 
Lembrei daquele forrozinho bom de Geraldo. Aí fiquei aqui, sentada, chorando, inclusive porque não teve nem forrozinho bom esse ano. 

O São João passou voando aqui pela minha janela também, nem deu tempo de agarrar. 
Tô com saudade de muita coisa, benzinho, mas principalmente de ser um pouco mais otimista. 

Não dá, não acontece. Às vezes é dificil  pensar em cinco boas razões pra prosseguir com esses meus dias fuleiros. 
Perdi a certeza infantil de que dias melhores virão, porque a verdade é que eles não chegam nunca.

Tava aqui chorando, lembrando, e me veio você na cabeça. Tô mandando essa carta pra dizer que, mesmo triste,  mesmo chorando, se eu penso em você brota um sorriso no meu rosto. 

Teu abraço é o primeiro lugar que eu quero visitar quando deixarem a gente sair de casa. 

E vou fazer igual à música: feito passarinho, repousar à beira da tua janela e te soprar um beijo.

Acho que tu é meu motivo, benzinho, pra continuar esperando isso passar.


 

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