Baby.


 

Vitória da Conquista, junho de 2020

Baby,

Sejamos honestos: a quarentena é um perigo para a mulher que arde. Essa mulher meio bicho, que se vê enjaulada e sem acesso às possibilidades de caça. Roda em círculos e deita no chão, nua, enquanto rosna e lambe os lábios, delirando em cima das futuras presas que observa de muito longe.

Essa mulher com esse faro aguçado assim, procura dia e noite algum vestígio do que possa virar satisfação. Inventa histórias sozinha, mordendo a tampa da caneta e pensando em todas as maneiras possíveis que você poderá tocar seu corpo quando os cadeados se abrirem novamente. 

Pode chegar pisando macio, com algum tom amadeirado no seu cheiro. Pode estacionar muito colado, duvido você não se queimar. Pode afastar os cachos dos meus olhos, ler bem aqui no fundo da minha retina o que farei com você em seguida. Se entrega, baby, facilita. Mas se você preferir, eu posso dar o bote. Não existe antídoto em nenhum lugar senão dentro de mim. Deixa eu te mostrar por onde tuas mãos podem rastejar. Segura firme e me engole, devagar, é uma opção. Me espalho só para sentir você me juntando. Não sou tua, mas pode imaginar assim. 

Quando eu estiver solta e escolher me trancar nos teus abraços, não se espante. A selva às vezes se deixa domesticar por algumas horas. Eu sinto fome e você é uma sacanagem para o meu apetite infinito. Minha boca fica molhada pedindo o teu gosto. Pode vir sem embrulhos. Sou suficiente para esquentar você. Então me guarda aí, para usar daqui a pouco. 

Sim, já estou entregue. Você, quando chega?

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